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BORGES POEMAS

23/05/2008 GMT 1

VULTO

geraldoborgescanuto @ 01:00

Imagem longe... some... aparece...
Apenas sombra, agora via.
Em meu olhar, delícia imensa
Vida sem dor, até morrer.
Sempre comigo a todo instante
Sorriso lindo, aconchegante

Formas ganhava, mais perto vinha.
Assim sereno, um corpo nu.
Volúpia imensa no repousar
De ornamentado seio
Que trajes simples, desaparecem
Por que não sei.

Tudo é beleza, amor cigano,
Água na boca, um oceano.
Tanta leveza, de um mar profundo
Alucinante meu corpo sonha
Tempo de vida, caminho bom.

Chegou mais perto, me vi sozinho
Corpo moreno, cor de canela
Macio aroma de um gosto azul.
Forma perfeita de um grande amor

Mas quis vagar, sem mim sozinha
Voou pro mundo na imensidão
De meu deserto mas tudo certo
Amei você.

MULHER TOTAL

geraldoborgescanuto @ 01:00

Deve ser linda pro olhos meus.
Cor não importa, tamanho e sonhos
Olhos risonhos ou caminhar.
Só o pensamento travesso e puro
Com muito orgulho precisa ter.

Cabelos curtos ou mesmo longos em caracóis
Irradiando... sempre o frescor da manhã
Intenso cheiro natural da vida
Jamais sofrida. Um mundo bom.

Olhos meigos e frios, de modo algum
Fúria no brilho, felino e sóbrio
Não de capitu (é querer muito),
Mas com malícia mui feminina
Necessário pra se viver.

Sedosos lábios dirão palavras
Amor e ódio, sim e não.
Nada vazio, embora pensem:
Seu mundo é pouco e todo em vão.

Pela vida afora não caminha apenas
Flutua leve no imaginário campo
Seus macios pés, ornamentando
Assim o tempo, fugindo ao vento
Mas sempre só.

Seios perfeitos, volúpia imensa
Tamanho e forma existe não.
Assim desponta magia o mundo
Calor sensível provoca sempre
Desejo ardente pro anoitecer.

Um ventre lindo contando histórias
Muita memória em melodia
Tocando o tempo
Muita pureza, certeza e luz
Trouxe ao vento o amanhecer

Sem palavra alguma já me diz tudo
Por alvas pérolas iluminando o corpo
Lindo e faceiro tornando o cheiro
De amar a vida, eterna e sempre
A todo dia, num grande amor .

UMA RUA

geraldoborgescanuto @ 00:59

Animais latindo, chorando, urrando
Torpedos pelo ar.

Passos vadios, vagarosos, velozes
Conversas estridentes, vãs
Desinteressantes, frívolas
Brincando, brigando, xingando

Som horrível
Alto, muito alto
Altíssimo, ensurdecedor.
Campainhas, telefones, buzinas
Aqui, ali, além.

Tenho que partir.
Para onde?

AMAR

geraldoborgescanuto @ 00:57

De mansinho surge... à meia-luz
Num instante belo, ali a sós
Beijo molhado, gostoso e longo
Início fértil da manhã sonhada
No encontro lindo de teu perfume azul.

Brilhar nos olhos como criança
Beijos e esperança num gesto doce
Cheiro molhado, lindos cabelos
Lábios no ventre macio e quente,
Aconchegante, num puro amor.

Devagarinho ao mundo vivo
De um templo lindo jamais sonhado
Imaginando o impossível
Sonhar teu sonho, viver em ti
Ao beijar-te a boca e macio ventre
Nos seios sóbrios pousar-me em fim.

Na imensidão, da vida um vento
Livre sonhara intensamente e tanto e sempre
No interior talvez, jamais me vira
Assim chegar, tranqüilo e calmo
Sonhar vivendo, viver sonhando
Um novo dia, dentro de ti.

Em mim agora brilham teus olhos
Vivendo a vida maravilhosa
Amor, carinho, beijo e abraço
Num devaneio real e puro
Que ventos trazem em mim pra sempre

Mas embora ia pra onde nem sei
Ficar nem sempre possível é.
Saiu sem mim e eu sem ti
Revivo ainda cada minuto
De um amor possível contigo e só
Solúvel e forte que assim com sorte
Eu vi nascer.

SONHO

geraldoborgescanuto @ 00:56

Olhei.
Não vi ninguém
Aprofundei o olhar.
Olhei...olhei.
Só via a mim mesmo
Chorei.
Ninguém ouviu.
Ninguém.
Tive vontade de morrer.
Mas estou vivo
E tenho que estar.

ASAS

geraldoborgescanuto @ 00:52

Com minhas plumas coloridas
A vontade é só voar
Pelos amplos caminhos da liberdade.
Porém...
Prendem-me nesse insólito cubículo
Querem podar-me as asas, sem pensar.

Deparam dúvidas com obstáculos
Tradicionais montanhas de gelo:
Ordens, obrigações. (Comodismo?)
Acomodaram-me. Impedem a luta
E vivem meu mundo.

Imaginação: outro mundo à frente.
Degelando os fortes grilhões.
De sombras mortas surgem maravilhas
Na amplidão do universo
Sonhos... ilusões... realidades
Descortinam o horizonte
Largo, deslumbrante, colorido e lúcido.

Alguns sonhos podarão, eu sei.
Mas o pensamento, solto pelos ares,
Aproxima do infinito, os ideais.
Não sou desse mundo. Tenho asas.
Vou voar um vôo livre.
Um dia, vou voltar. Ou jamais
Esses lúgubres e obsoletos caminhos
Sentirão o brilhar sombrio de meus olhos.

OUTRO SONHO

geraldoborgescanuto @ 00:50

Você chegava
Se achegava a mim.
Só para mim.
Maravilhoso sorriso
Imensa vontade de tocar em ti.
Toquei.
Enuviado.
Lindo corpo
Como sempre.
Momento de vida.
Um sonho
Apenas.

VIVER

geraldoborgescanuto @ 00:48

É enxergar as cores
Da aquarela do mundo
E suas tristezas conflitantes.
Falar o que querem ouvir
E o que não precisariam escutar.
Silenciar
Emitir um grito alto e estridente.
Aceitar o que está pronto
Destruir tudo e recomeçar.
Sonhar
Ou viver apenas a realidade.
Saber tudo.
Duvidar sempre.
Contradizer os próprios pensamentos.
Não esperar a Morte.

ROTINA

geraldoborgescanuto @ 00:37

Vida curta, miséria muita.
Filhos, netos, genro
Nora, cachorro e sogra
Um bolo só.

Grande tristeza, num ostracismo
Um corpo forte, almeja um salto
Da alma pura, no mundo bruto
Na vida dura, força não há.

Pro trabalho, quando se tem
A pé, de ônibus, até de trem.
Sacolejando sem qualquer plano
Parece gente mas, de repente,
É coisa humana, na multidão.

Sobe-desce, desce-sobe
Suor e lágrima e muito sangue
Embrutece e molda a massa humana
Cal, cimento, areia e dor.
Desce-sobe, sobe-desce
Imensa escada
Rumo ao céu.

Finda o mês, antes o salário
Feira não fia, foge de vez.
Faltando arroz, feijão e sonhos
Esperança e pão
Escassa a vida agora mais.

Sair, beber, embriagar,
Fugir, mudar. Talvez morrer.
Brigar por tudo também por nada
Com todos e qualquer um.

Voltar, xingar, esbravejar,
Deitar, dormir.
No outro dia,
Recomeçar

AMORES

geraldoborgescanuto @ 00:35

Amor de dama, também sozinho
De mucama. Tudo é amor.
Amor bandido, bem desmedido, até com dor.
Da menininha, da mulher feita,
De toda idade. É bom amar.

À meia luz, infinitas trevas, ao sol raiar.
Loira, negra e morena
Ruiva, mulata, grande ou pequena
Corpo qualquer.

Amor quietinho, mui sorrateiro,
Bem aparente pra toda gente
Melhor não há.
Amor de graça, caro talvez.
Em plena praça, assim sem sonhos
Sempre e outra vez.

Entre paredes, ali na rede, na amplidão
Em bela cama, seja na grama
Até na lama. Tudo é amor.

É desamor a despedida
Sem ter caminho, viver sozinho
Fugir da vida, sonhos não ter.

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