ROTINA
Vida curta, miséria muita.
Filhos, netos, genro
Nora, cachorro e sogra
Um bolo só.
Grande tristeza, num ostracismo
Um corpo forte, almeja um salto
Da alma pura, no mundo bruto
Na vida dura, força não há.
Pro trabalho, quando se tem
A pé, de ônibus, até de trem.
Sacolejando sem qualquer plano
Parece gente mas, de repente,
É coisa humana, na multidão.
Sobe-desce, desce-sobe
Suor e lágrima e muito sangue
Embrutece e molda a massa humana
Cal, cimento, areia e dor.
Desce-sobe, sobe-desce
Imensa escada
Rumo ao céu.
Finda o mês, antes o salário
Feira não fia, foge de vez.
Faltando arroz, feijão e sonhos
Esperança e pão
Escassa a vida agora mais.
Sair, beber, embriagar,
Fugir, mudar. Talvez morrer.
Brigar por tudo também por nada
Com todos e qualquer um.
Voltar, xingar, esbravejar,
Deitar, dormir.
No outro dia,
Recomeçar

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